Uso racional de medicamentos para pessoas idosas
- Liga de Gerontologia EACH USP
- 25 de mai. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 25 de mai. de 2024

O envelhecimento é um processo natural que traz consigo mudanças físicas, cognitivas e fisiológicas. Nos últimos anos, temos visto um aumento expressivo da população idosa em muitos lugares ao redor do mundo. Conforme envelhecemos, a incidência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, cresce, o que requer o uso de medicamentos para controle e tratamento adequados.
No entanto, é necessário que a população compreenda e esteja consciente da importância do uso racional de medicamentos, especialmente durante a velhice, período em que as alterações no organismo podem tornar o tratamento medicamentoso mais complexo e resultar em sérios problemas de saúde. O uso racional de medicamentos refere-se a uma prática que envolve a prescrição, administração e monitoramento cuidadoso dos medicamentos, levando em consideração as necessidades individuais de cada paciente, bem como os potenciais riscos e benefícios associados ao tratamento.
Na velhice, essa abordagem torna-se ainda mais delicada devido a uma série de fatores, incluindo alterações na função hepática e renal, maior suscetibilidade a efeitos colaterais e interações medicamentosas, e uma maior incidência de condições crônicas múltiplas. Além disso, a maioria dos idosos, dependendo de sua condição socioeconômica e de seu estado de saúde, faz uso de cinco ou mais remédios simultaneamente, o que é conhecido como polifarmácia (Santos et al., 2018).
A polifarmácia tem sido identificada como um preditor relevante para uma série de desfechos críticos, incluindo hospitalizações, internações em instituições de longa permanência (ILPI), episódios de hipoglicemia, fraturas, diminuição da mobilidade, pneumonia e problemas de nutrição. Esse fenômeno ganha ainda mais destaque ao analisarmos pessoas idosas que residem tanto na comunidade quanto em instituições (Romano et al., 2018).
Um dos pilares do uso racional de medicamentos na velhice é a avaliação multidisciplinar, que envolve a colaboração entre médicos, enfermeiros, gerontólogos e outros profissionais de saúde. Essa equipe é responsável por avaliar o tratamento medicamentoso de acordo com as necessidades individuais do idoso, considerando fatores como estado de saúde geral, condições médicas pré-existentes, função cognitiva e estilo de vida.
O profissional gerontólogo, bacharel em gerontologia, está habilitado para conduzir avaliações medicamentosas, analisando todos os medicamentos que uma pessoa idosa utiliza, incluindo aqueles obtidos por automedicação. Aspectos importantes são considerados, como dosagem, os potenciais efeitos colaterais e a relação com as queixas clínicas do paciente.
Outro ponto importante do uso racional de medicamentos na velhice é o monitoramento regular da resposta ao tratamento e a identificação precoce de possíveis problemas. As pessoas idosas devem ser encorajadas a comunicar qualquer sintoma adverso ou mudança em sua condição de saúde à equipe de saúde, permitindo que ajustes sejam feitos no tratamento, se necessário.
Esperamos que este texto seja útil para você! Lembre-se de compartilhar essas informações com amigos, familiares e cuidadores para promover uma maior conscientização sobre o uso consciente de medicamentos em todas as fases da vida, e principalmente na velhice.
Referências:
DE ARAÚJO, Bruna Nadaletti et al. Automedicação e uso inadequado de medicamentos na terceira idade. Revista Saúde e Meio Ambiente, 2019.
NUNES, Deuzilane Muniz et al. PROMOÇÃO DO USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS A IDOSOS DA UNIVERSIDADE ABERTA DA TERCEIRA IDADE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO (UNATIUNIVASF). EXTRAMUROS-Revista de Extensão da UNIVASF, 2018.
ROMANO-LIEBER, Nicolina Silvana et al. Sobrevida de idosos e exposição à polifarmácia no município de São Paulo: Estudo SABE. Revista Brasileira de Epidemiologia, 2019.
VERAS, R. P.. Doenças crônicas e longevidade: desafios futuros. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 2023.
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