Música para Todos: Um Caminho para a Saúde
- Liga de Gerontologia EACH USP
- 27 de abr.
- 3 min de leitura

A música é muito mais do que apenas um som. Ela invade, nos confronta com suas frases prontas ou embaralhadas; a música nos ensina, nos traz força e energia, nos apoia e nos faz transcender. Para alguns, a música é aquilo que conforta; para outros, é o que agita e lhes dá energia. Pode ser inspiração, ou simplesmente música, apenas som. Mas a música é para todos? E o que ela tem a ver com a saúde? Veremos a seguir como a música pode beneficiar a saúde para envelhecer com qualidade.
A música está presente em todas as idades, desempenhando um papel importante ao longo de toda a vida, inclusive na velhice. Segundo Jesus, Vagetti e Ferreira (2023), a música tem sido associada à melhora do bem-estar e da qualidade de vida de pessoas idosas. Nesse sentido, “todo ser humano pode fazer música e se beneficiar com ela” (JESUS; VAGETTI; FERREIRA, 2023, p. 11).
E quais são esses benefícios?
Dentre os principais, destaca-se o papel da música na redução da ansiedade, especialmente em pessoas idosas institucionalizadas, atuando como um importante instrumento de controle emocional (MORAIS et al., 2021 apud JESUS; VAGETTI; FERREIRA, 2023, p. 5). Além disso, a música também se mostra eficaz na diminuição dos níveis de estresse, contribuindo como recurso terapêutico para o equilíbrio psicológico (MEDEIROS et al., 2020 apud JESUS; VAGETTI; FERREIRA, 2023, p. 6).
Outro aspecto relevante é sua contribuição no cuidado de idosos com demência. A música pode enriquecer a vida dessas pessoas, promovendo benefícios emocionais e sociais, além de favorecer a interação e o vínculo com o ambiente e socialização com outras pessoas (ELLIOTT et al., 2020 apud JESUS; VAGETTI; FERREIRA, 2023, p. 5). Ainda nesse contexto, ouvir música antes da prática de exercícios pode gerar efeitos fisiológicos positivos, auxiliando na disposição e no desempenho desses indivíduos (IZZO et al., 2023 apud JESUS; VAGETTI; FERREIRA, 2023, p. 5).
A música contribui também para o resgate da subjetividade das pessoas idosas, aprimorando as capacidades, por meio do corpo, dos gestos e dos movimentos, promovendo não apenas a musicalidade, mas também despertando emoções e memórias a partir de experiências vividas ao longo da vida possibilitando a expressão de sentimentos. (URRUTH et al., 2020 apud JESUS; VAGETTI; FERREIRA, 2023, p. 6).
Assim, é possível compreender que a música realmente vai muito além de ser apenas uma forma de entretenimento, contribuindo como uma importante aliada na promoção da saúde da pessoa idosa. Seus benefícios abrangem dimensões físicas, emocionais, cognitivas e sociais, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida.
Nesse sentido, resultados de pesquisa reforçam essa perspectiva, conforme demonstrado em um estudo realizado com 33 participantes de um coral da cidade de São Paulo, de ambos os gêneros, com idades entre 55 e 90 anos, os quais responderam a um questionário com o objetivo de relacionar seu estado de saúde físico, mental e emocional com a participação em atividades musicais.
Verificou-se que aproximadamente 39% das pessoas idosas relataram envolvimento em outras práticas musicais além do coral, como concertos, dança e canto em grupo. Ademais, no que diz respeito aos benefícios emocionais, destaca-se que cerca de 42% das respostas mencionaram sentimentos positivos, como alegria, alívio do estresse e bem-estar, reforçando o impacto terapêutico da música na saúde mental. Soma-se a isso o fato de que o convívio social mostrou-se um fator central, sendo citado em cerca de 45% das respostas, o que evidencia a importância das relações interpessoais promovidas pelas atividades musicais (ROCHA, 2016).
Portanto, a música reafirma-se como um caminho acessível e potente para um envelhecimento mais saudável e humanizado. Investir em práticas musicais e incentivar sua presença no cotidiano dos idosos é, acima de tudo, valorizar suas histórias, promover bem-estar e contribuir para uma vida mais ativa, digna e significativa.
As oficinas do programa USP 60+ se mostram fundamentais ao oferecerem diversas atividades musicais gratuitas focadas no envelhecimento ativo, como a Dança Sênior Brasil e o programa Sesc Mais 60 que oferece o Canto Coral para pessoas idosas. E assim deixando a música e uma vida saudável mais acessível a todos!
Referência:
JESUS, Breno Tomazinho; VAGETTI, Gislaine Cristina; FERREIRA, Lincoln Thiengo. Contribuições da música para pessoas idosas: uma revisão sistemática. PAJAR – Pan-American Journal of Aging Research, Porto Alegre, v. 11, n. 1, e44557, 2023. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/pajar/article/view/44557. Acesso em: 9 abr. 2026.
ROCHA, Marina Ramos da Silva. Musicoterapia na terceira idade: envelhecer com qualidade. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES, 20., [ano não informado]. Mogi das Cruzes: Universidade de Mogi das Cruzes, [s.d.]. Disponível em: https://www.umc.br/_img/_diversos/pesquisa/pibic_pvic/XX_congresso/artigos/Marina_Ramos_da_Silva_Rocha.pdf. Acesso em: 11 abr. 2026.
PIRES, Ana Filipa Rodrigues. O Impacto da Música nas Pessoas Idosas. 2022. Tese de Doutorado. Dissertação de Mestrado. Instituto Superior de Lisboa e Vale do Tejo, Odivelas, Lisboa. Disponível em: https://comum.rcaap.pt/server/api/core/bitstreams/58e1e8e1-7e81-4473-8707-b985baa6ed37/content. Acesso em: 13 abr. 2026.

Texto escrito por Sabrina Pádua Lunardi, estudante de Gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP) e integrante da diretoria científica da Liga de Gerontologia da EACH-USP.
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