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Outubro Rosa Além da Conscientização: Barreiras Enfrentadas por Mulheres da Periferia

Atualizado: 27 de out. de 2025



Também conhecido como neoplasia, o câncer de mama é caracterizado pelo crescimento de células cancerígenas na mama, sendo o tumor mais frequente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando apenas os casos de câncer de pele não melanoma. Entre os principais fatores de risco destacam-se a faixa etária acima dos 50 anos, histórico familiar da doença, mutações genéticas, além de fatores relacionados ao estilo de vida. Diante desse cenário, a campanha “Outubro Rosa” desempenha um papel fundamental ao promover a conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, incentivando a realização de exames regulares, como a mamografia, e reforçando a relevância da informação para a redução da mortalidade feminina.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que, no Brasil, cerca de 73.610 mulheres recebam o diagnóstico de câncer de mama a cada ano, totalizando aproximadamente 220 mil casos entre 2023 e 2025. Essa realidade reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce como principais estratégias para a redução da mortalidade. Entretanto, pesquisas como “Percepções e Prioridades de Câncer nas Favelas Brasileiras”, realizada no ano de 2023 pela Data Favela, Instituto Locomotiva e Instituto Oncoguia, apontam que mulheres que vivem em regiões periféricas enfrentam desafios ainda maiores. A falta de acesso a serviços de saúde de qualidade, a demora no agendamento de exames, a escassez de campanhas educativas e as condições socioeconômicas precárias dificultam o diagnóstico precoce e o início do tratamento adequado.

De acordo com o Instituto Locomotiva, as maiores dificuldades enfrentadas por essas moradoras, em favelas de todo o país, estão justamente relacionadas à demora na marcação de consultas e exames, além da dificuldade de acesso às instituições de saúde. Em muitos casos, o deslocamento até uma Unidade Básica de Saúde (UBS) pode levar até uma hora, o que torna o processo de cuidado mais cansativo e desestimulante. Além das dificuldades estruturais, é importante considerar os fatores sociais, culturais e informacionais que agravam a situação.

Em muitas comunidades periféricas, a falta de campanhas educativas contínuas, o baixo acesso à internet e a ausência de informação clara e acessível sobre o câncer de mama fazem com que muitas mulheres não saibam reconhecer sinais de alerta ou não compreendam a importância do diagnóstico precoce. Em alguns casos, o medo do resultado, o estigma associado à doença e a crença de que o câncer é uma sentença de morte também afastam essas mulheres dos serviços de saúde. Outro aspecto relevante que agrava ainda mais essa situação é a falta de pesquisas específicas sobre o câncer de mama nas favelas brasileiras.

Há poucos estudos que abordem de forma detalhada como as desigualdades sociais, econômicas e territoriais influenciam o diagnóstico e o tratamento nessas regiões. Essa escassez de dados torna mais difícil compreender a real dimensão do problema e elaborar políticas públicas eficazes e direcionadas para essas populações. Sem informações consistentes, o poder público e as instituições de saúde acabam agindo de forma generalizada, sem considerar as particularidades das mulheres que vivem em territórios periféricos, o que perpetua a desigualdade.

Por fim, é importante reconhecer que todos esses desafios impactam diretamente no processo de envelhecimento das mulheres periféricas. A falta de acesso à saúde e informação não apenas compromete as chances de cura, mas também reduz a qualidade de vida ao longo dos anos. Mulheres que enfrentam o câncer de mama em contextos de vulnerabilidade tendem a envelhecer com mais limitações físicas, emocionais e financeiras, muitas vezes marcadas por trajetórias de sobrecarga, cuidado com a família e negligência de si mesmas. A ausência de suporte adequado no diagnóstico, no tratamento e na reabilitação faz com que o envelhecimento seja vivido com mais desigualdade, revelando que o combate ao câncer de mama também é uma luta pelo direito a envelhecer com dignidade, saúde e equidade social.

Escrito por: Isabela dos Santos Monteiro

  • Aluna do 1º ano do Bacharelado em Gerontologia EACH USP

  • Integrante da Diretoria Científica da Liga Acadêmica de Gerontologia EACH USP








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