top of page
Buscar

MUDANÇAS FISIOLÓGICAS NO ENVELHECIMENTO FEMININO E A FEMINIZAÇÃO DA VELHICE NO BRASIL


O envelhecimento populacional é uma das transformações demográficas mais significativas do século XXI. Esse processo ocorre em decorrência da redução das taxas de fecundidade, da melhoria das condições de vida e dos avanços da medicina, fatores que contribuem para o aumento da expectativa de vida (VERAS, 2019).


No Brasil, dados recentes indicam um crescimento acelerado da população idosa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Censo Demográfico de 2022 revelou um aumento significativo do número de pessoas com 60 anos ou mais, consolidando a transição demográfica no país (IBGE, 2023).


Associado a esse processo, observa-se o fenômeno conhecido como feminização da velhice, caracterizado pela maior presença de mulheres nas faixas etárias mais avançadas da população. Isso ocorre principalmente porque as mulheres apresentam maior expectativa de vida em comparação aos homens, além de menores taxas de mortalidade ao longo do ciclo vital (CAMARANO; KANSO, 2020).


Segundo estimativas demográficas, as mulheres representam a maioria da população idosa no Brasil, e essa predominância aumenta nas idades mais avançadas. Esse fenômeno apresenta implicações importantes para as políticas públicas, especialmente nas áreas de saúde, assistência social e previdência (NERI, 2020).


Diante desse cenário, compreender as mudanças fisiológicas associadas ao envelhecimento feminino torna-se fundamental para o desenvolvimento de estratégias de promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida das mulheres idosas.


Mudanças fisiológicas no envelhecimento feminino


O envelhecimento feminino envolve alterações progressivas em diferentes sistemas, sendo influenciado por fatores biológicos, hormonais e ambientais. Entre as principais mudanças destacam-se as alterações associadas ao climatério e à menopausa.


Alterações hormonais


A menopausa representa um marco importante no processo de envelhecimento feminino. Caracteriza-se pela interrupção permanente da menstruação, decorrente da diminuição da função ovariana e da redução da produção de hormônios sexuais, especialmente estrogênio e progesterona (NERI, 2019).


A redução do estrogênio provoca diversas alterações fisiológicas, incluindo sintomas vasomotores, como ondas de calor e sudorese noturna, além de alterações do humor, distúrbios do sono e redução da libido (ALMEIDA; MENEZES, 2021).


Estudos recentes indicam que as mudanças hormonais da menopausa podem influenciar diversos sistemas corporais, afetando o metabolismo, a saúde cardiovascular e a função cognitiva ao longo do envelhecimento (ANDREWS et al., 2024).


Alterações musculoesqueléticas


Outro aspecto importante do envelhecimento feminino refere-se às alterações no sistema musculoesquelético. A redução dos níveis de estrogênio contribui para a diminuição da densidade mineral óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose (WHO, 2022).


Além disso, observa-se a ocorrência de sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular, condição que pode comprometer a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida das mulheres idosas (VERAS, 2019).


Pesquisas recentes também indicam que as alterações hormonais associadas à menopausa podem impactar a saúde da coluna vertebral e aumentar o risco de fragilidade óssea em mulheres mais velhas (CHAGAS et al., 2026).


Alterações metabólicas e cardiovasculares


Durante o envelhecimento feminino também ocorrem alterações no metabolismo lipídico e na distribuição da gordura corporal. Após a menopausa, é comum observar aumento da gordura visceral e alterações no perfil lipídico, incluindo elevação do colesterol total e da lipoproteína de baixa densidade (LDL).


Essas mudanças aumentam a vulnerabilidade às doenças cardiovasculares, que se tornam uma das principais causas de morbimortalidade entre mulheres após a menopausa (WHO, 2022).


Além disso, estudos recentes indicam que mudanças fisiológicas associadas à menopausa podem influenciar outros sistemas biológicos, incluindo alterações no microbioma e em processos metabólicos importantes para a saúde geral da mulher (NIETO et al., 2025).


Alterações dermatológicas e corporais


O envelhecimento também se manifesta por meio de mudanças na pele e na composição corporal. A redução da produção de colágeno e elastina contribui para a perda de elasticidade da pele, surgimento de rugas e aumento da fragilidade cutânea.


Essas alterações estão relacionadas tanto ao envelhecimento celular quanto à diminuição hormonal que ocorre após a menopausa, refletindo mudanças estruturais e funcionais do organismo feminino (ALMEIDA; MENEZES, 2021).


Feminização da velhice e suas implicações


A feminização da velhice refere-se à predominância feminina entre a população idosa e constitui uma característica marcante do processo de envelhecimento populacional.

De acordo com estudos demográficos, as mulheres vivem em média mais do que os homens, o que contribui para uma maior proporção feminina nas faixas etárias mais avançadas (CAMARANO; KANSO, 2020).


Entretanto, apesar da maior longevidade, muitas mulheres enfrentam condições de vulnerabilidade social na velhice. Isso ocorre porque trajetórias de vida marcadas por desigualdades de gênero podem resultar em menor inserção no mercado de trabalho formal, menores rendimentos e maior dependência econômica na velhice (NERI, 2020).


Além disso, as mulheres idosas apresentam maior probabilidade de viver sozinhas, especialmente em idades mais avançadas, o que pode aumentar o risco de isolamento social e dificuldades de acesso a cuidados de saúde (VERAS, 2019).


Dessa forma, compreender as especificidades do envelhecimento feminino é essencial para o desenvolvimento de políticas públicas que promovam equidade e qualidade de vida na velhice.


Considerações finais


O envelhecimento feminino constitui um processo complexo que envolve alterações fisiológicas significativas, especialmente relacionadas às mudanças hormonais associadas à menopausa.


Essas transformações influenciam diversos sistemas do organismo, incluindo o sistema musculoesquelético, cardiovascular, metabólico e dermatológico, podendo impactar a saúde e a funcionalidade das mulheres ao longo do envelhecimento.


Paralelamente, o Brasil vivencia o fenômeno da feminização da velhice, caracterizado pela predominância de mulheres entre a população idosa. Esse fenômeno está diretamente relacionado à maior expectativa de vida feminina e às diferenças nas condições de mortalidade entre homens e mulheres.


Diante desse cenário, torna-se fundamental fortalecer políticas públicas voltadas à promoção do envelhecimento saudável, considerando as especificidades biológicas e sociais do envelhecimento feminino.


Referências

ALMEIDA, A. V.; MENEZES, M. R. O envelhecimento feminino e suas repercussões biopsicossociais. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, 2021.


ANDREWS, R. et al. The role of menopausal symptoms on future health and longevity: a systematic scoping review. Maturitas, 2024.


CAMARANO, A. A.; KANSO, S. Envelhecimento da população brasileira: desafios e perspectivas. Revista Brasileira de Estudos de População, 2020.


CHAGAS, J. et al. Impact of menopause and hormonal changes on spine health in older females. Cells, 2026.


IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2022: características da população brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.


NERI, A. L. Qualidade de vida na velhice: enfoque multidisciplinar. Campinas: Alínea, 2019.


NERI, A. L. Palavras-chave em Gerontologia. Campinas: Alínea, 2020.


VERAS, R. Envelhecimento populacional contemporâneo: demandas, desafios e inovações. Revista de Saúde Pública, 2019.


WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Ageing and health. Geneva: WHO, 2022.


NIETO, M. R. et al. Menopausal shift on women’s health and microbial niches. NPJ Women’s Health, 2025.



Texto escrito por:


Fisioterapeuta especialista em Gerontologia pelo Coffito/Abrafige3/32.070-F RQE 1150240270 Crefito. Preceptora de estágios da graduação em Fisioterapia na PUC-SP em Saúde Coletiva e Fisioterapia Geral. Realiza atendimentos domiciliares à pessoas idosas.. Uma das Idealizadoras do projeto Passos que Cuidam. Pós graduanda em Saúde Pública e Saúde da Família na Faculdade Santa Marcelina.

 
 
 

1 comentário


Parabéns a Carla de Cillo , pelo artigo de “Excelência “ que contribui em muito para o envelhecimento, principalmente no Brasil.

Curtir
bottom of page