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Envelhecimento Entre Povos Indígenas e Ribeirinhos


Diante da diversidade do Brasil, a qualidade do envelhecimento possui características que distinguem-se entre si a depender do âmbito em que está inserido. Os povos indígenas e ribeirinhos não possuem a mesma acessibilidade de quem está nas metrópoles,  como na saúde, o que torna a mortalidade maior. Dessa forma, o fenômeno natural do envelhecimento vai além da dimensão biológica, devendo ser compreendido também como fato histórico, social e cultural (Peixoto, Lima, & Bittar, 2017, p. 209).


A responsabilidade de assegurar a saúde aos povos indígenas passou da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) para o Ministério da Saúde, especificamente para a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) em 1999, instituindo o Sistema único de Saúde (SUS) nesses locais. A pesquisa nesse campo tem revelado a riqueza e a diversidade das experiências de envelhecimento nesses grupos, desafiando os modelos tradicionais e eurocêntricos de velhice. 


Em muitas regiões do Brasil, os territórios indígenas e as áreas de ocupação dos povos ribeirinhos se sobrepõem, o que gera relações de interdependência e troca de conhecimentos entre esses grupos. Ambos os grupos enfrentam desafios semelhantes na luta pela defesa de seus direitos territoriais, pela valorização de suas culturas e pela garantia de acesso a serviços básicos.


Entre os aspectos distintivos do envelhecimento na cultura indígena e ribeirinha estão a relação entre natureza e espiritualidade, com a crença nos ciclos naturais da vida. A sabedoria e o conhecimento ancestral também são altamente valorizados, e as pessoas idosas são consideradas guardiãs da cultura e da história, desempenhando um importante papel intergeracional junto aos mais jovens. Além disso, muitos povos originários desfrutam de uma melhor qualidade de vida, graças às atividades físicas que realizam em suas rotinas.

Entretanto, o envelhecimento em um ambiente com recursos limitados enfrenta desafios persistentes, como desigualdades sociais e a falta de acesso a serviços essenciais, como saúde, educação e saneamento básico e terra, o que impacta negativamente a saúde e o bem-estar (Nascimento et al., 2017). Além disso, as mudanças climáticas estão comprometendo os meios de subsistência dos povos indígenas, aumentando sua vulnerabilidade.


É fundamental que as políticas públicas garantam os direitos dos idosos indígenas e ribeirinhos, promovendo o acesso a serviços essenciais como saúde, educação, assistência social e justiça. Também é necessário valorizar sua cultura e conhecimentos tradicionais, incentivando a participação ativa desses idosos na construção de políticas públicas que os contemplem.


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Assina este texto: Leticia Brandet


Bacharelanda em Direito pela Universidade São Judas Tadeu. Estagiária na área de Direito do Consumidor e Procon. Membro da diretoria científica da Liga de Gerontologia da EACH USP.




Referências:


  1. Peixoto, N., Lima, L. C. V., & Bittar, C. M. L. (2017). Percepções sobre qualidade de vida entre idosos que participam de uma Universidade Aberta para Maturidade. Acta Scientiarum, 39(2), 209-216. doi: 10.4025/actascihumansoc.v39i2.33089

  2. Nascimento, R. G., Cardoso, R. O., Santos, Z. N. L., Magalhães, C. M. C., & Pinto, D. (2017). Condições de habitação e grau de satisfação domiciliar entre idosos ribeirinhos amazônicos. Psico-USF, 22(3), 389-399. doi: 10.1590/1413-82712017220301



 
 
 

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