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Envelhecimento e Velhice LGBTQI+

Atualizado: 5 de ago. de 2024


A heterogeneidade do envelhecimento humano pode ser percebida por meio de vários parâmetros socioculturais e biológicos que interferem no processo individual de senescência de cada indivíduo. Dessa forma, a sexualidade e a orientação sexual são aspectos que evidenciam a pluralidade do envelhecimento humano, assim, é válido refletir sobre as particularidades do envelhecimento e velhice das pessoas LGBTQIA+. 


A velhice LGBTQIA+ é resultado de toda uma trajetória de vida geralmente marcada por desigualdades, apagamentos e lutas por reivindicação de direitos, o que coloca em cheque a qualidade de vida que estas pessoas normalmente possuem em comparação ao envelhecimento heteronormativo. Por exemplo, os relatos acerca dos estigmas enfrentados pela população LGBTQIA+ ao buscar atendimentos de saúde retratam a falta de capacitação que as equipes de saúde possuem diante dessa demanda específica. Isso reflete da precarização do cuidado em saúde aos indivíduos dessa comunidade, evidenciando o apagamento de suas necessidades específicas.


Além disso, aponta-se um envelhecimento marcado por desigualdades, a exemplo da expectativa de vida da população transgênero e travesti, que é de 35 anos, enquanto a expectativa hetero-cis-normativa é 75,5 anos. Ainda, vale ressaltar a diversidade de particularidades existentes dentro da própria comunidade quando trata-se do envelhecimento e velhice, pois diz respeito a um grupo diverso e abrangente. Entretanto, o que une todos os segmentos LGBTQIA+ são as lutas em comum por uma sobrevivência mais justa e inclusiva. 


Portanto, diante do exposto, não podemos negligenciar e ignorar a existência das pessoas idosas LGBTQIA+, pois elas existem e continuarão existindo - isto implica considerar suas particularidades e não estigmatizá-las. No filme “The staircase”, de 1969, existe um diálogo entre os protagonistas que diz “ninguém ama você quando você é velho e gay - nem você mesmo”, o qual dialoga com o que o autor e pesquisador Hostetler apresenta em sua pesquisa de 2004: “Na imaginação popular, ser uma pessoa velha gay ou lésbica deve ser sinônimo de ser sozinho”.


Estas frases representam como a solidão e a falta de suporte social e emocional estão associadas com a velhice LGBTQIA+, implicando dificuldades na experiência de vivenciar esta fase da vida. É importante reconhecer lacunas onde a Gerontologia comunitária pode atuar com estes idosos, bem como a necessidade de atuar junto a formulação de políticas públicas que atendam às necessidades específicas da velhice LGBTQIA+. Então, no mês do Orgulho LGBTQIA+, a Liga Acadêmica de Gerontologia da EACH USP celebra a diversidade também na velhice, lembrando das pessoas idosas pertencentes a esta comunidade.


Recomendações e dicas sobre este assunto: 


Páginas no Instagram

ONG EternamenteSOU: @eternamentesou 

Ana Carolina Apocalypse: @anacarolnaapocalypse 

Filmes e Documentários

Documentário Netflix- “Secreto e Proibido” (2020)

Documentário Netflix- “Meu amor – Seis Histórias de Amor Verdadeiro” (2021)

Filme Netflix- “SUK SUK – "Um Amor Em Segredo” (2019)

Assina este texto: Bianca Caroline de Felício 


  • Estudante do Bacharelado em Gerontologia na EACH USP - Turma de 2021.

  • Pesquisadora em Iniciação Científica sobre a Rede de Suporte Social de Pessoas Idosas, sob orientação da Profª. Drª. Marisa Accioly.

  • Estagiária no Conselho Municipal da Pessoa Idosa da Cidade de São Paulo (CMI/SMDHC).

  • Intercambista no programa de “Gerontologia Social” do Instituto Politécnico de Coimbra, em Portugal.

  • Escritora do blog Geronto Study.


Referências:

  1. INTRODUÇÃO ÀS VELHICES LGBTI+. 2021. SBGG-RJ | EternamenteSOU | ILC-BR.

  2. HENNING, Carlos Eduardo. Gerontologia LGBT: Velhice, Gênero, Sexualidade e a Constituição dos “Idosos LGBT”. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 23, n. 47, p. 283-323, jan./abr. 2017. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0104-71832017000100010.

  3. Linn da Quebrada e o envelhecimento LGBT. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/saudelgbt/linn-da-quebrada-e-o-envelhecimento-lgbt/.

  4. HOSTETLER, A. Old, Gay, and Alone? The Ecology of Well-Being among Middle-Aged and Older Single Gay Men. In: DE VRIES, B.; HERDT, G. (orgs.). Gay and Lesbian Aging: Research and Future Directions. New York: Springers Publishing, 2004. p. 143-176.












 
 
 

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