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Ano novo, corpo envelhecido: o que muda (e o que não muda) com o envelhecimento


O início de um novo ano costuma ser um momento de reflexão sobre hábitos, saúde e qualidade de vida. Nesse cenário, falar sobre envelhecimento torna-se ainda mais relevante, já que envelhecer é um processo contínuo que acompanha toda a trajetória de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o envelhecimento deve ser compreendido de forma ampla, envolvendo aspectos físicos, psicológicos e sociais, e não apenas como uma fase marcada por perdas (OMS, 2015).


Com o avançar da idade, algumas mudanças corporais são esperadas e fazem parte do chamado envelhecimento fisiológico. Alterações na composição corporal, redução gradual da massa muscular e mudanças no metabolismo podem ocorrer naturalmente ao longo do tempo. No entanto, essas transformações não acontecem de maneira uniforme entre todas as pessoas, sendo fortemente influenciadas por fatores como estilo de vida, alimentação, prática de atividade física e acesso aos serviços de saúde (Brasil, 2007).


Nesse contexto, é fundamental diferenciar aquilo que faz parte do envelhecimento natural do que não deve ser considerado natural. Pequenas alterações de memória ou a diminuição do ritmo para realizar determinadas atividades podem ocorrer com o passar dos anos. Por outro lado, sinais como perda funcional significativa, confusão mental frequente e dificuldades importantes para realizar atividades da vida diária não devem ser atribuídos apenas à idade, exigindo avaliação e acompanhamento profissional adequados (Brasil, 2007).


Apesar das mudanças físicas, envelhecer não significa perda total de capacidades. A OMS destaca que a manutenção da funcionalidade, da autonomia e da participação social é central para a qualidade de vida na velhice. Pessoas idosas podem continuar aprendendo, se relacionando e participando ativamente da sociedade quando têm acesso a oportunidades e vivem em ambientes favoráveis (OMS, 2015).


Nesse sentido, o conceito de envelhecimento saudável enfatiza a importância de promover saúde ao longo de toda a vida. De acordo com a OMS, envelhecer de forma saudável envolve otimizar as capacidades funcionais, permitindo que as pessoas façam aquilo que consideram importante, mesmo na presença de condições crônicas (OMS, 2015; OPAS, s.d.). Falar sobre o corpo envelhecido no início de um novo ano é, portanto, um convite à mudança de olhar.


Envelhecer não deve ser associado à inutilidade ou à dependência, mas compreendido como uma etapa da vida que pode, e deve, ser vivida com dignidade, autonomia e qualidade. Essa perspectiva está alinhada aos objetivos da Década do Envelhecimento Saudável 2021-2030, que propõe ações globais para melhorar a vida das pessoas idosas, de suas famílias e comunidades (ONU/OMS, 2020).


REFERÊNCIAS:


Escrito por: Rayssa Morgado Sousa

Aluna do Bacharelado em Gerontologia da EACH USP e integrante da Liga Acadêmica de Gerontologia.

 
 
 

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