21 de Setembro: Dia Mundial de Conscientização da Doença de Alzheimer
- Liga de Gerontologia EACH USP
- 21 de set. de 2024
- 3 min de leitura
Setembro Lilás é o mês dedicado à conscientização mundial sobre a Doença de Alzheimer (DA), uma condição que impacta não apenas a pessoa diagnosticada, mas também seus cuidadores e familiares. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), estima-se que, até 2030, o número de pessoas com demência na América Latina e Caribe dobrará, passando de 3,4 milhões em 2010 para 7,6 milhões.
As demências são condições clínicas progressivas, caracterizadas pelo comprometimento de um ou mais domínios cognitivos, resultando no declínio funcional do indivíduo. A principal causa de demência é a Doença de Alzheimer, responsável por até 70% dos casos, sendo uma das principais causas de incapacidade, comprometendo o bem-estar e impondo uma grande sobrecarga às famílias e à sociedade. Por isso, são reconhecidas como um significativo problema de saúde pública em escala global (ReNaDe, 2024).
A fisiopatologia da Doença de Alzheimer é marcada por uma quantidade menor de células nervosas e sinapses em comparação a um cérebro saudável. Isso se deve ao acúmulo extracelular de peptídeos β-amiloide, formando placas amiloides, e ao acúmulo intracelular de emaranhados neurofibrilares, compostos por proteínas tau hiperfosforiladas e agregadas, como exemplificado na imagem a seguir:
Fonte: 2024 Alzheimer's Association.
A perda de memória é o sintoma mais conhecido da Doença de Alzheimer, mas existem outros sinais igualmente importantes, como dificuldade em completar tarefas que antes eram fáceis, problemas na resolução de questões simples, mudanças de humor ou personalidade, e o afastamento de amigos e familiares. Além disso, pode haver dificuldades na comunicação, tanto escrita quanto falada, confusão em relação a locais, pessoas e eventos, e alterações visuais, como a dificuldade em interpretar imagens (Alzheimer's Association, 2024).
Embora a Doença de Alzheimer ainda não tenha cura, a combinação de tratamentos farmacológicos com intervenções não farmacológicas, como a estimulação cognitiva, especialmente nas fases iniciais e moderadas, e a prática de exercícios físicos, é amplamente destacada na literatura. Essas abordagens, quando aplicadas em conjunto, podem melhorar a qualidade de vida das pessoas diagnosticadas com a condição.
A idade avançada é o principal fator de risco para o desenvolvimento de demências, mas essas doenças não são parte do envelhecimento normal. Vale ressaltar que nem toda perda de memória está relacionada à Doença de Alzheimer. Estudos mostram que manter hábitos saudáveis, como a prática regular de exercícios, não fumar, moderar o consumo de álcool, controlar o peso, seguir uma alimentação equilibrada e gerenciar doenças crônicas, pode ajudar a reduzir o risco de declínio cognitivo. Fatores como depressão, isolamento social, baixa escolaridade, inatividade cognitiva e exposição à poluição do ar também podem aumentar as chances de desenvolver demências.
Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Federação Brasileira de Alzheimer (FEBRAZ), a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) e a Alzheimer’s Disease International (ADI) uniram forças para promover uma campanha de sensibilização voltada a combater o estigma e as informações falsas sobre as demências, buscando promover uma sociedade mais inclusiva e consciente.
Quando uma pessoa é reduzida a apenas um diagnóstico, suas particularidades e desejos são ignorados e desrespeitados. Os estigmas negativos associados à demência retratam os indivíduos afetados como menos capazes, perpetuando uma visão depreciativa da condição. Essas ideias são reforçadas por falas e comportamentos cotidianos, como a expressão “fingir demência”, além de representações na mídia, que alimentam preconceitos e geram atitudes negativas. Nós, como sociedade, junto a governos, pesquisadores, familiares e cuidadores, temos a responsabilidade de criar ambientes mais acolhedores e inclusivos. É hora de agir pelas pessoas com demência!
Assina este texto: Sabrina Aparecida da Silva

Bacharelanda em Gerontologia pela EACH USP;
Estagiária na área de pesquisa em treino cognitivo pelo Instituto SUPERA – Ginástica para o Cérebro;
Membro do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da USP (GETCUSP);
Monitora da oficina “Mentes Ativas” da USP60+;
Bolsista do CNPq em Iniciação Científica sobre bem-estar subjetivo e desempenho cognitivo em pessoas idosas;
Diretora científica da Liga de Gerontologia da EACH USP.
Referências:
1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Gestão do Cuidado Integral. Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (re)conhecimento e projeções futuras. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/9-9-2024-mes-mundial-do-alzheimer-2024-e-hora-agir-pelas-pessoas-com-demencia.
2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALZHEIMER. Demência e Alzheimer no Brasil. Disponível em: https://www.alz.org/br/demencia-alzheimer-brasil.asp.
3. ALZHEIMER'S INTERNATIONAL. World Alzheimer Report 2024. Disponível em: https://www.alzint.org/u/World-Alzheimer-Report-2024.pdf.
4. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE ALZHEIMER. O estigma nas palavras: vamos parar de falar “fingir demência”. Disponível em: https://febraz.org.br/o-estigma-nas-palavras-vamos-parar-de-falar-fingir-demencia/.
5. SCHILLING, Lucas Porcello et al. Diagnóstico da doença de Alzheimer: recomendações do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. Dementia & Neuropsychology, v. 16, n. 3 Suppl 1, p. 25-39, 2022.
.png)





Comentários